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Sacerdote: mãos consagradas

No dia 4 de agosto, a Igreja Católica celebrou o Dia do Padre. Para muitos não passa de mais uma comemoração como tantas que estão presentes no calendário civil e no religioso.  De fato, não podemos tirar a razão de ninguém que pensa desta maneira, principalmente se olhamos para o sacerdote (padre) e vemos apenas um homem consagrado a Deus para servir o povo.
Talvez este seja um dos problemas da sociedade, não hoje, mas ao longo das décadas, olhar o sacerdote como um ser humano normal, que optou por consagrar-se a Deus. De fato é um ser humano, mas sua opção não é uma escolha de profissão, mais é uma entrega total a Deus para servi-lo e assim servir o povo.
O Bispo de Petrópolis, Dom Gregório Paixão (OSB), na missa do Crisma de 2016, em sua homilia ao dirigir-se aos padres, agradecendo todo trabalho realizado por eles, afirmou: “por meio das suas mãos consagradas chega ao povo de Deus a hóstia consagrada, o perdão e os sacramentos” e este ano completou afirmando que fazem chegar a todos a Palavra de Deus.
Este talvez possa ser um dos muitos significados do que é ser de fato um sacerdote: um homem consagrado a Deus, cujas mãos foram ungidas para levar a todos o Corpo e Sangue de Cristo, vivo e presença real na Hóstia Consagrada, oferecendo o perdão de Deus escutando o clamor do povo e ministrando os sacramentos, ao mesmo tempo que proclama a Palavra de Deus, não esquecendo jamais de seu caráter profético, denunciando as mazelas da sociedade e levando as pessoas ao encontro de Deus, mas, ao mesmo tempo, sendo o porto seguro espiritual e material de tantas pessoas.
É desta maneira que vejo o sacerdote e compreendo a sua importância na realidade social que vivemos. Esta “definição” dada por mim neste texto foi muito perceptível, quando, no dia 29 de julho de 2017, tive a oportunidade de estar na missa comemorativa dos 10 anos de ordenação do Padre Alexandre Brandão.
Uma celebração simples, porém de uma grandiosidade inexplicável. Naquela celebração estavam presentes todos os ingredientes que formam e dá sentido ao sacerdócio. A começar pela presença da família do padre – pai, mãe e irmão – sinal claro da importância da família na vida de qualquer pessoa, inclusive do sacerdote.
A comunidade que celebra o dom sacerdotal de um consagrado a Deus, que deixa tudo – sonhos, projetos, realizações pessoais, famílias – e se lança num projeto maior, sem perspectivas, mas apenas por acreditar naquele que dá sentido a esta decisão, Jesus Cristo. Por cada comunidade que passa novas conquistas e novos amigos, mas também sofrimentos e decepções superadas pela alegria de servir a Cristo.
Os amigos, presença da bondade de Deus e que por meio deles permite ao padre construir uma nova realidade familiar, onde não estão apenas os pais, irmãos, primos e tantos outros parentes, mais pessoas desconhecidas que se tornam conhecidas e com algumas se cria laços de amizades ultrapassando tempo e espaço. Foi o que pude perceber ao ver, ao lado do Padre Brandão o Padre Rogério Dias da Silva, cuja amizade foi sendo construída pouco a pouco tornando sólida, como testemunhou Padre Rogério.
Mas, para não me alongar mais do que já fiz, ao final da celebração, a oração e consagração de Padre Brandão aos pés da Virgem de Aparecida, me deu a certeza de que estava diante do um sacerdote totalmente consagrado a Deus. Ali, ajoelhado, em sua oração, Padre Brandão exerceu com fidelidade o ministério de anunciar a Palavra de Deus, não com lindo discurso, mais com uma simples oração testemunhando a própria vida, marcada por momentos de dor, sofrimento, angústia, decisões e a completa alegria de lançar-se nas águas mais profundas, sendo conduzido por Cristo.
Em outro artigo, quando falei da inauguração da Capela da Adoração permanente em São José do Vale do Rio Preto, afirmei que estava no lugar certo e na hora certa. Para concluir, afirmo que no dia 29 de julho de 2017, não poderia estar em outro local senão na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Araras, celebrando os dez anos de sacerdócio do Padre Brandão.

Se neste dia, foi seu aniversário de ordenação, quem ganhou o presente fui eu e todos que estavam na Igreja.  

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